QUARENTINE DAYDREAMS

Não é de hoje que a vontade de escrever me consome, apesar da escrita não ser uma das minhas melhores ferramentas de comunicação, ela se torna cada vez mais presente e necessária para um artista que busca diariamente manter a sanidade. 

 

É, eu sei, no Instagram parece que está tudo sempre bem, como num álbum de família onde só se colecionam momentos felizes, mas a vida real não é para amadores, principalmente para um artista que pensam demais. Dessa dificuldade descobri um aprendizado: escrever me faz bem, me acalma e me liberta de um overthinking que só faz o ciclo vicioso da ansiedade se estender. Finalmente um lugar para colocar as ideias no lugar. Isso não quer dizer que eu escreva bem, na verdade não escrevo, por vezes erro virgulas, conexões, métricas, e só não errei nenhuma palavra nesse texto que redijo agora porque o computador me corrigiu (ou não).

 

O fato é que não me apego aos erros, foi errando que aprendi a ser quem sou, e será errando que me acostumarei a escrever. Nos próximos dias de quarentena por conta do COVID-19 postarei um pequeno texto por dia com algum devaneio ou reflexão provinda de mim, dos meus estudos e da minha história.

 

Que dure 30 ou 90 dias, espero que com esse conteúdo que não tem forma, organicidade nem simetria, eu consiga te fazer mergulhar com um pouco mais de profundidade em minha cabeça e reflexões atuais que, apesar da bagunçada ou desprovida de enredo, sintetizam a conexão e veracidade com o que estou pensando agora. Boa leitura.​

Dia 1 - 17/03/2020 | ARTE

Arte é a interpretação da vida. Em sua essência é a tradução de toda a experiência humana. Ela é a interpretação pessoal do artista e sua experiência de vida. É uma expressão das nossas emoções, é a interpretação das nossas experiências.

 

Embora com alguma frequência a arte não seja nada mais do que um ato de catarse, trazendo alívio aos anseios mais profundos da minha alma, a arte em sua forma mais pura é a extensão dessa alma. Ela transforma o mundo, é declaração de significado ou falta dele, criada tanto para expressão própria quanto para a extensão do eu. Se torna profunda quando expõe, nos explica ou nos inspira.

 

Quando a arte é tanto universal quanto intima, ela transcende. Ela conta nossa história e revela nosso eu não revelado. Tanto autêntica como idealista, toca tanto nossa dor quanto nossa esperança, e talvez só encontra significado quando ecoa na alma.

Dia 2 - 18/03/2020 | RAÍZES

Inspiração é vivência, aprendizado, conhecimento, foco e curiosidade. Ela me eleva e conduz em direção a uma jornada, resultado ou emoção. Mas talvez, depois de longos anos, o fato de eu finalmente ter encontrado minha paz interior junto ao meu trabalho com confiança no genuíno e na verdade, se deu quando entendi que quanto mais me inspiro naquilo que vivo ou vivi, mas consigo mergulhar no mar da minha autenticidade. No puro, na minha verdade. 

 

Dia 3 - 19/03/2020 | O MELHOR ARTISTA DO MUNDO

O sonho de ser o maior artista do mundo não existe. Isso pressupõe a existência de um topo e sugere que alcançar esse topo e nele ficar é o único motivo para criar. Traçando paralelos entre sucesso e fracasso, vitória e derrota, comparação e competição, unidades vendidas e influência exercida. Essa lógica pressupõe que precisamos ser vitoriosos contra nossos pares e as versões anteriores de nós mesmos. Esses definitivamente não são meus motivos para criar.

Essa competição me atrai para um jogo que não quero jogar, não venderei minha alma para o sofrimento criativo com a finalidade de ser o melhor, não sou o artista atormentado cujo estereótipo é de alcoólatra, sabotador de relacionamentos e arrogante. Prefiro receber minhas inspirações com respeito, nutrindo relacionamentos saudáveis para não me deixar distrair com catástrofes emocionais que eu mesmo inventei, e sempre apoiando os outros em seus propósitos criativos (há espaço para todos). Prefiro lutar contra os meus demônios com gratidão - oração - evolução espiritual e humildade.

Uma coisa é certa: Não morrerei jovem, não culparei minha inspiração pela minha morte, e quando ela chegar, agradecerei minha criatividade por ter me abençoado com uma existência interessante e apaixonada, e por ter me acompanhado gentilmente na construção do meu legado.

Dia 4 - 20/03/2020 | A FONTE

Chegamos a um momento no mundo atual onde literalmente todo mundo tem uma fonte favorita, o fato de você poder escolher fontes no telefone, Instagram Stories ou computador conscientizou as pessoas em geral a respeito do que é a tipografia e dos tantos rostos que ela pode ter. Mas como levar essas mesmas pessoas a um aprofundamento maior sobre essa arte tipográfica? A partir desse momento, penso que uma das minhas missões como artista é produzir uma matéria-prima aberta a interpretação que leva a esse aprofundamento da leitura e reflexão acerca das palavras e como as escrevemos - ou não - para que essa conscientização em torno da fonte ou tipografia transcenda o universo básico no qual o espectador está inserido.

Dia 5 - 21/03/2020 | DINHEIRO

O mundo precisa redimensionar o dinheiro. Hoje penso nele como uma forma de energia que usamos para chegar em algum objetivo. Humanos doentes o usarão para coisas sem sentido, bens, status, poder e consumo como forma de aumentar seus baixos níveis de serotonina na marra. Nós não, não deixaremos de ganhá-lo, mas o articularemos junto a outras grandezas energéticas para buscar a riqueza, que não tem nada a ver com o dinheiro, mas traz retorno em outras moedas: sentido, grandeza, excelência, propósito e experiências.

Outras variáveis energéticas tão ou mais importantes que o dinheiro são: A capacidade de engajar gente talentosa, criar uma cultura ou visão de mundo daquilo que se investe tempo, construir ou fazer parte de uma comunidade que pensa como eu e encontrar num produto (trabalho) uma maneira de exercitar nosso propósito. Em um lugar onde criador e criatura se confundem, na alma desse propósito que vai muito mais além de acumular dígitos em instituições financeiras. 

Dia 6 - 22/03/2020 | UM PROCRASTINADOR

No Egito antigo haviam 2 verbos diferentes para a ideia de "procrastinação", um denotava preguiça, outro significava esperar pelo momento certo. Estudos calculam que Da Vinci pintou a Monalisa ao longo de alguns anos. Na época os críticos acreditavam que Da Vinci estava perdendo tempo com experiências ópticas e outras distrações que o impediam de terminar seus quadros. Porém, foram essas "distrações” que acabaram se revelando vitais para sua evolução e originalidade dentro de seu trabalho.

Embora me irrite frequentemente com a procrastinação, compreendo que a originalidade não pode ser apresada. Quando Da Vinci dizia: "Gênios realizam mais quando trabalham menos, porque estão pensando em invenções e formando na mente a ideia perfeita", ou quando Mark Twain disse: "Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã", me faz pensar um pouco mais sobre como esses caras lidavam com a tal procrastinação.

Em meu caso, quando estou procrastinando, a verdade é que tenho algo em banho-maria no pensamento e preciso de tempo para pensar e martirizar tal ideia com um pouco mais de clareza antes de começar a executá-la. Acredito que no campo da arte e da criação as ideias precisam de um pouco mais de tempo para amadurecer.

Além da procrastinação me oferecer o tempo necessário para pensar, masterizando as ideias inovadoras, ela me mantém aberto as improvisações. Quando planejo tudo com antecedência, é comum ficar preso ao script original que criei, fechando as portas para as possibilidades criativas que podem surgir ao longo desse caminho.

Procrastine com moderação: Não nego, sou um grande procrastinador, porém não abro mão do planejamento. Talvez meu segredo seja procrastinar estrategicamente, avançando de forma gradual, testando, refinando e masterizando até o momento certo - se é que ele existe - para a execução de uma tarefa ou peça.

Dia 7 - 23/03/2020 | VELOCIDADE X DISTÂNCIA

Assim como a arte, o esporte tem representação fundamental na minha salvação nessa vida. Além de me salvar de uma vida medíocre e depressiva, ele me ensinou e ainda ensina. Sou corredor de rua desde meus 14 anos de idade, comecei correndo provas de 5km, 10km, 15k até as mais recentes provas de 21km (ainda completarei a tal maratona). Essa minha experiência com a corrida me trouxe uma das principais lições que carrego comigo até hoje: A velocidade me faz ganhar uma prova de curta distância, mas só a constância me levará a conquistar aquilo que poucos no mundo conquistaram: terminar uma maratona.

Quando aplico essa lição a uma vida criativa ela se formata desta tal forma: A velocidade é uma ótima estratégia para jovens gênios, mas para se tornar um velho mestre é preciso ter a paciência de um maratonista na condução de suas experiências. Os dois caminhos levam a uma vida criativa, no entanto se não temos a sorte de ser atingido bem na mira por um insight, a experimentação lenta e consistente certamente abrirá caminho para um período mais longo e gratificante de originalidade.

Penso que, no fim das contas, seja combinando novas coisas em velhas estruturas ou novas estruturas em velhas coisas, seja usando a velocidade para alguns projetos ou a arte milenar da constância e cadência para outros, coisas boas acontecem com quem sabe esperar.

Dia 8 - 24/03/2020 | PESQUISA ARTÍSTICA

Quando vendi minha primeira obra em 2013, um papel couchê 300g decorado com uma tipografia feita em canetinhas de desenho arquitetônico que recitavam a letra de uma musica do Green Day, eu não fazia ideia do que era uma pesquisa artística. No fundo, aquele era apenas um jovem de 21 anos que descobriu poder pagar algumas contas com aquilo que ele mais gostava de fazer: pintar.

Algum tempo depois, quando a prematura vontade de expor alguns desses trabalhos em galerias e espaços que abraçavam a arte se fizeram presente, fui bombardeado por galeristas, curadores e outros artistas com a mesma pergunta: "Qual sua pesquisa artística?". Eu não tinha uma, só gostava de pintar e pronto. Estava tão errado assim?

Hoje, com mais de 7 anos de trabalho profissional nas artes plásticas, não só tenho clareza sobre minha pesquisa artística como entendi que tal pesquisa não se cria de uma hora para outra, ela é um aprofundamento que se constrói durante uma jornada. E a minha, no caso, esteve e estará em constante evolução e refinamento enquanto houver vida artística. De todo modo, aqui vai um resumo dessa busca incessante até o presente momento:

O ano era 2014 e naquela época criava pura e simplesmente porque gostava e nenhum galerista ou artista mais velho ia tirar isso de mim. Em 2015 percebi que minha pesquisa estava direcionada a representar o mundo através de sensações e sentimentos internos provindos de um eu observador. Quando 2016 chegou, entendi que essa busca não era sobre uma representação fiel da realidade, e sim sobre o que se sente, a visão subjetiva e emocional, a essência, a pureza, beirando ao espiritual. 2017 foi um ano onde entendi que esse era um caminho natural a abstração, que a desconstrução total das palavras ali executadas se dava como única opção para a reflexão da forma indireta, aprofundando a busca pelo entendimento em níveis que já não se deixassem levar por arquétipos, pré-conceitos e objetividades racionais criados pelas palavras escritas.

 

Em 2018, quando os símbolos tipográficos provindos dessa desconstrução já caracterizam essa livre reflexão, entendi que era estreitamente necessário convidar o espectador a utilizar sua potência associativa para montar a sua própria interpretação sobre meus trabalhos, com o intuito de abrir o mundo de possibilidades reflexivas a eles. Para cada um, um sentido único determinado pela bagagem subjetiva que acompanha o indivíduo. Já em 2019, em um momento onde minha pesquisa artística era claramente caracterizada por essa completa desconstrução tipográfica onde tais texturas já faziam com que o espectador identificasse quem produzira a obra sem sequer precisar procurar por uma assinatura num canto, percebi que essa identidade já não fazia mais jus a minha pesquisa sozinha. Foi então que a tal pesquisa se direcionou a integrar fortes variações de tema, intensidade e tonalidade, sem necessidade de seguir uma estrutura pré-definida. A missão era fazer com que suas formas fossem mais livres que as próprias variações, uma vez que já não havia mais a necessidade de respeitar os temas.

2020 chega e quanto mais caminho na busca pela masterização de minha pesquisa, mais entendo que só encontrarei as verdades absolutas dessa estrada olhando para dentro, para tudo aquilo que vivi e vivo. Não atoa, hoje essa busca se dá através da junção de 7 anos de pesquisa arquitetônica provinda de uma formação em arquitetura e urbanismo até então encubada, junto a toda essa evolução através da tipografia apresentada a cima. O resultado se deu por diversos caminhos: materialidade, tridimensionalidade, usabilidade, estética e a cidade. E se usássemos conceitos arquitetônicos para criar obras de arte? Há muita pesquisa pela frente.

Dia 9 - 25/03/2020 | ADULTO

A criatividade me criou e me fez adulto, percebi nessa trajetória que o que produzimos nem sempre é sagrado só porque acreditamos que seja, entendi que a tradução do desconhecido já não importa mais, aprendi que não preciso saber o que tudo isso significa, de onde as ideias são concebidas originalmente, qual o caminho exato necessário ser trilhado para encontrá-las, muito menos como a minha criatividade realmente funciona ou porque ela não está sempre a minha disposição.

No fim, aprendi o que de fato é mais sagrado, e o que realmente importa é o tempo que passamos trabalhando em um projeto, as horas de estudo para se aprofundar numa pesquisa artística verdadeira e coerente, a disciplina para não desistir no meio de tantos descaminhos promovidos por uma vida criativa, e por fim, mas não menos importante, a maneira como esse tempo de dedicação amplia nossa imaginação e como essa imaginação ampliada e executada transforma um espaço, um lugar, um objeto, o mundo.​

 

Dia 10 - 26/03/2020 | CRIANÇA

Para uma criança de 5 anos, um mero traço no papel pode se converter no telhado de uma casa. Ela vê as coisas a sua volta de forma singular, pois sua percepção mais apurada e sensível lhe permite significar o mundo por meio de configurações únicas, usando suas capacidades naturais e cognitivas para idear, criar e simbolizar.

É engraçado pensar que eu poderia estar falando das características primorosas de um grande artista, quando na verdade, estou falando de uma criança. Sempre quando me aprofundo na pesquisa sobre arte e criação para buscar o maior grau de refinamento sobre o assunto, acabo esbarrando nelas: as crianças.

Antes da criança aprender a andar, ela dança. Antes de aprender a falar, ela canta. Antes de aprender a escrever, ela desenha. Esses são alguns dos milhares de exemplos que provam a naturalidade criativa delas, então porque, conforme crescem, a maioria vai se desacostumando aos movimentos criativos? Porque cresci mais propenso a saber lidar com a criatividade e outros seres humanos nem tanto? É culpa dos pais? Das engrenagens da sociedade? Essas perguntas me levam a uma única afirmação: há muito a ser estudado sobre esse tema.

Dia 11 - 27/03/2020 | O PROCESSO

Aprender a separar as decepções e frustrações é parte de um trabalho criativo. Depois de longos anos de batalha contra elas, entendi que a frustração não é uma interrupção do processo criativo, ela é o próprio processo. A parte divertida nem sempre se faz presente e o segredo talvez seja saber lidar com essas fases complicadas que precedem os momentos sublimes onde sequer percebo que estou trabalhando. A missão é manter a sanidade entre essas transições.

De qualquer modo, os ingredientes essenciais para a criatividade continuam sendo os mesmos: Coragem, encantamento, permissão, estudo, persistência e confiança. Elementos acessível a todos, o que não quer dizer que uma vida criativa seja sempre fácil, apenas que sempre é possível. Hoje digo que não tenho mais bloqueios criativos, porque quando eles estão prestes a chegar, entendo que chegou o momento desse processo onde preciso voltar duas casas e evoluir mais nos itens citados acima para voltar ao trabalho.

 

No fim, é a tal frustração que me faz um criador melhor a cada dia e, se meu desejo de trabalhar e colaborar com a minha criatividade de maneira íntima e livre estão em dia, esse é meu maior incentivo pessoal para lutar contra a dor e levar a vida criativa mais saudável e estável que puder.

Dia 12 - 28/03/2020 | CRIANDO LUGARES

Os lugares que estão atualmente em minha vida existem por conta de uma articulação de energias que criei ao longo do tempo, mas seria prepotente demais da minha parte pensar que eles existem única e exclusivamente pelo meu desejo. Um lugar - que pode ser traduzido também como frequência, estado, ideia ou momento - representa a articulação da vontade e da força de várias pessoas que não só vejam como eu vejo o mundo que minha criação propõe, mas que também influenciam de forma quase subconsciente na formatação de qualquer tipo de ideia criativa em execução.

Então afinal, o que estamos criando? o que juntos estamos deixando no rastro de nossas vidas? As palavras que dizemos e as escolhas que fazemos são o material com o qual não apenas criamos as nossas vidas, mas criamos os lugares que nos cercam. Nós estamos realmente unindo nossas forças para criar lugares nos quais nos orgulharemos nos instantes que precederão nossa morte? Uma coisa é certa: posso ter uma ideia sozinho em meu ateliê, mas tenho certeza que nunca criei nada sozinho.

Dia 13 - 29/03/2020 | ARQUITETURA E A CIDADE

Esses dias me peguei pensando que atualmente todas as inspirações necessárias a mim, vem do que eu vivo e daquilo que já vivi. Das raízes. A arquitetura é prova disso na minha vida e apesar do meu conhecimento em arquitetura sempre ter permeado minha trajetória criativa, hoje essa pesquisa se materializa com muito mais clareza, através de novas materialidades, tridimensionalidade, texturas e composições.

 

Eu sempre brinquei que quem acha o centro de SP feio é porque anda olhando para o chão. Quando se olha para cima lá está, arte. A arquitetura, a volumetria, a estética, a simetria, as cores, o céu. Essa é a dinâmica intuitiva desse processo de trazer a arquitetura para as artes plásticas e galerias, enxergar o que sempre esteve ali, para depois representar como uma estrutura sensibilizada do meu eu.

Dia 14 - 30/03/2020 | CRIATIVIDADE

Quanto mais aprendo, mais descubro que pouco sei. Mas se tem uma coisa que eu sei nessa vida é: Cresci numa família de pessoas criativas. Não, meu pai não foi musico nem minha tia uma grande escritora com alguns tantos livros publicados. Em minha família vivem professores, engenheiros e representantes de venda. Nenhum artista nela, mesmo assim ainda tenho certeza de ter crescido em uma família de pessoas criativas. 

 

Certa vez conheci um ferramenteiro com algumas décadas de vida, vi ele combinar conhecimento e imaginação aplicada para desenvolver maquinas agrícolas do zero. Conhecendo melhor esse homem, descobri que além de entender um pouco de tudo, ele resolvia qualquer problema. Quebrou a trava da mala de viagem? Ele cria uma nova em aço, que quase sempre fica melhor que a original de plástico. Para tudo que ele fazia, havia uma solução criativa vinda da mistura de seu repertório e bagagem na área que atuava. Esse é Dionísio, meu avô.

 

Como artista, uso a criatividade na expressão do meu sentimento através de obras de arte, intervenções, cenografias e murais. Mas as pessoas que me ensinaram a ser criativo, são como meu avô, que nunca foi chamado de artista e vive criativamente cada dia dos seus 80 anos. 

 

Assim como Dionísio, sou uma pessoa criativa desde que me conheço por gente, talvez por meus pais nunca me bloquearem criativamente na infância ou por sempre ser uma pessoa curiosa, que ia de montar lego sem respeitar as instruções da caixa, até desmontar eletrônicos para descobrir como funcionavam por dentro. Nunca entendi ao certo os fatores que naturalmente me levaram a facilidade criativa. 

 

Em 2016, curioso para saber com mais precisão de onde vinham minhas ideias, descobri que criatividade é um assunto estudável. Me aprofundei, e após ter traçado paralelos entre criatividade, conexões e experiências pessoais, cheguei a um dos principais pontos de reflexão:

Criatividade não é exclusividade de artista.

 

Todos nós somos seres criativos, e se sentirmos que não somos, talvez só estejamos exercitando pouco o músculo dessa nossa qualidade. Hoje entendo a criatividade como um músculo que precisa ser constantemente exercitado, se não atrofia. Observar, questionar e ser receptivo me ajudam a treina-lo, mas o meu treinamento favorito está em ser uma alma pretensiosa.

 

“ Você nunca conseguirá criar nada de interessante na vida se não acreditar que merece ao menos tentar. ” - Elizabeth Gilbert

 

Aqui, ser uma pessoa pretensiosa é algo diametralmente oposto a presunção ou arrogância. Para mim, pretensão criativa significa simplesmente acreditar que você tem o direito de estar aqui e – pelo mero fato de estar aqui – se expressar e ter uma visão própria, autentica.

 

Hoje uso minha criatividade a favor dos meus propósitos dentro e fora da arte, entendo que quanto mais profundo for em minha pesquisa pessoal sobre criatividade, mais criativo serei. Recebo minhas inspirações com respeito e curiosidade, tendo clareza que frustrações e bloqueios criativos não são interrupções e sim parte do processo. Nutro relacionamentos saudáveis, cercados de inspiração e espaço para ser quem realmente sou, desbravando momentos e lugares imersos em criatividade.

 

É assim que quero passar o resto da minha vida, colaborando da melhor maneira que poder com minha inspiração, eu e minha pretensão criativa, para sempre me colocar na posição de arriscar e experimentar. Se não numa obra de arte, no dia a dia, porque se você leu esse texto até aqui já entendeu: criatividade é a habilidade de solucionar problemas.

Dia 15 - 31/03/2020 | PROBLEMA

Todos os nossos familiares e antepassados passaram por algum tipo de problema, trauma e catástrofe natural. A humanidade sempre se empenhou - consciente ou inconscientemente - a resolver problemas. A busca pela solução de um problema foi talvez o maior motor de evolução da humanidade.

Vivemos em um mundo atual repleto de problemas urgentes, mudanças climáticas, pobreza e fome. São obstáculos que só podemos superar com o uso dos nossos cérebros, e se a criatividade é a habilidade se solucionar problemas, sinto que a melhor arma para encararmos os problemas da vida é uma mente criativa. Poucas coisas fazem artistas se sentirem verdadeiramente vivos e conectados ao mundo físico quanto o ato de dar vida às nossas ideias, para mim, uma das forças mais potentes da humanidade. E se todos estivessem pensando como artistas? Teríamos um mundo um pouco melhor? Sinto que cada pessoa no mundo é um artista por natureza. Elas só precisam acreditar nisso. É o que os artistas fazem.​

Dia 16 - 01/04/2020 | SP E O PIXO

​É impossível andar por São Paulo e não fazer sequer uma reflexão sobre a pichação, manifestação artística extrema, o berro de visibilidade das pessoas de periferia que na maioria das vezes são invisíveis aos paulistanos do centro. Apesar do pixo ser estigmatizado por toda a sua história como vandalismo, sujeira e depredação, no meu ponto de vista ele é uma das mais genuínas expressões artísticas da cidade de SP, pois sempre teve esse flerte com o perigo, com o grito e a exclusão. Elementos que na maioria das vezes o muralismo carece.

​É instigante caminhar pelo centro da cidade reparando nas autênticas tipografia criadas por cada um dos clãs de pichadores e pensar: "como ele fizeram isso a essa altura com essa perfeição?" A pergunta não é como, mas porque: Para se fazerem visíveis a todos nós - quer queiramos ou não - já que nos postos de motoboy, frentista de posto de gasolina ou até mesmo sem um emprego formal, não conseguem existir para nós, pois sistematicamente os negamos as condições de iguais.

Já pichei, não nego. Quando o fiz, meus propósitos não chegavam nem a altura dos exemplos que dei acima, apesar da grande influência e respeito que tenho por eles em minha pesquisa não só artística como cultural e social. Não pixo desde 2017, mudei como pessoa e o ato vai contra meus atuais princípios e senso ético. Isso não quer dizer que deixei de admirar os pichadores e suas mensagens, seus gritos. Para uns sujeira, para mim, uma beleza muita mais profunda e complexa do que parece...

Dia 17 - 02/04/2020 | ESPÉCIE RARA

Somos uma espécie rara de seres imaginativos. Nossa habilidade para conceber e realizar ideias complexas requer uma série de processos cognitivos que estão além da capacidade de qualquer outra forma de vida ou de qualquer maquina. Muitas vezes nem percebemos, mas usamos nossa cognição para isso tempo todo, quando cozinhamos ou mandamos uma mensagem bem-humorada a um amigo.

Sinto que usar essa imaginação cada vez mais ativa em meu centro cognitivo enriquece minha mente e minhas experiências de vida. Me reconheço quando exercito meu cérebro, quando penso. Nunca conheci um artista desinteressado ou indiferente com seu ofício. O mesmo vale para chefs de cozinha, músicos, jogadores de futebol.... Qualquer um que tenha prazer em seu ofício e vontade de criar. Essas pessoas normalmente carregam um brilho no olhar e vitalidade evidente, um dos vários efeitos causados pela criatividade.

Capacidade criativa todos nós temos. É verdade que uns podem ser mais aptos a compor musicas que outros, mas isso não define os "não compositores “como "não criativos". Penso que todos nós somos capazes de ser artistas em alguma modalidade criativa: todos temos a capacidade de conceitualizar, criar, combinar e até abstrair. O problema é que alguns de nós ou foram convencidos pela sociedade que não são criativos, ou ainda não encontraram seu caminho ainda.

No fim, sinto que o que diferencia um artista não é a criatividade em si - isso todos nós temos - mas sim o fato de termos encontrado para nós um foco, uma área específica de interesse, que estimulou minha imaginação e forneceu veículos para a evolução de um talento próprio baseado na experiência única e direcional a um tema.

Dia 18 - 03/04/2020 | NOBRE ARTISTA

Não sou mais corajoso, determinado ou nobre do que um fazendeiro ou dono de restaurante pelo simples fato de ser um artista. Em termos de dedicação de esforços e propósito, há poucas diferenças entre nós além do modo como decidimos valorizar nosso tempo e escolher nossas atividades. O objetivo é o mesmo, e na maioria dos casos não é algo particularmente romântico ou nobre. Trata-se de sobreviver e, com algum esforço e sorte, prosperar para continuar fazendo seu trabalho.

Os artistas são trabalhadores e empreendedores, assim como o fazendeiro ou o dono de restaurante. Estamos dispostos a correr todos os riscos pela chance de progredir em nosso trabalho criativo. Talvez tomaremos algum dinheiro emprestado para comprar materiais ou pagar o aluguel do ateliê, tudo na esperança de vender uma obra de arte a um preço que cubra seus custos e deixe sobrar o suficiente - lucro - para reinvestir na próxima peça. Com mais trabalho, estudo e uma pitada de sorte, talvez essa também seja vendida, quem sabe por um preço um pouco maior. E então, se as coisas continuarem indo bem, por anos, será possível alugar um ateliê maior e melhor, contratar assistentes e construir um negócio.

Dia 19 - 04/04/2020 | ERRO

Eu erro o tempo todo, e acho ótimo. O problema é que os erros são historicamente vistos como coisas ruins. No meu ponto de vista, errar é fundamental, sendo um dos fatores que mais me ajudam a atingir objetivos. A escola e os pais costumam dar valor apenas aos acertos, penalizando os erros. Tire notas altas, seja o melhor da turma, ganhe medalhas no esporte. Essas ações com senso protetor e cuidador de nossos progenitores e mestres, fazem com quem associemos o erro a algo pejorativo, criando relação com o fracasso e não com a oportunidade de aprender com uma experiência. No atual mundo em que vivemos, tendo a descordar do ensino que idealmente tem o propósito de educar tratando os erros como falhas e premiando o melhor aluno pelas melhores notas, pois a tendência é esse aluno aprender menos com os seus erros, atribuindo o erro a uma falha pessoal, uma incompetência.

E se pensássemos no erro como uma dica para um acerto? Como algo bom? O melhor jeito de explicar meu ponto aqui talvez seja tentar identificar algumas qualidades que os erros trazem para minha vida, lá vai: 1. Quando erro significa que estou mais perto de acertar. 2.Quando reflito sobre as causas desse erro, diminui-se drasticamente a probabilidade de repeti-lo. 3. Errar me faz acumular repertório e experiência, duas das coisas que acho mais fundamentais para se atingir qualquer objetivo ou sucesso em algo em que se investe tempo e amor.

 

Dia 20 - 05/04/2020 | TEXTOS DE GAVETA

Se você chegou até o texto 20, certamente leu sobre muitas das coisas que passam pela minha cabeça, sobre minhas pesquisas e minhas crenças. Acredito cada vez mais no compartilhamento da informação dentro de comunidades mais conectadas e descentralizadas que evoluem em todos os aspectos baseado no agora e no eu do futuro. É por isso que não vejo mais propósito em, por exemplo, ter meus textos escondidos em minhas gavetas pela eternidade para quem sabe terem a sorte de ser encontrados e publicados após minha morte. Pois com a rapidez cada vez maior da troca de informação, os avanços digitais e a - mais temida - inteligência artificial, daqui 80 anos o que eu escrevi talvez não seja mais de tanto valor para a humanidade quanto sua leitura nos tempos atuais.

Dia 21 - 06/04/2020 | INTUIÇÃO

Nunca dê ouvidos a mim. Na verdade, não dê ouvidos a ninguém, a única pessoa que deve ser ouvido por você é a sua própria intuição. Nunca entendi a intuição como algo místico ou metafísico, não acredito que ela é um ancestral soprando no meu ouvido coisas que devo fazer ou uma canalização do cosmo, apesar de acreditar em canalizações de energia. Gosto de pensar na intuição como o produto da capacidade do nosso cérebro de rodar várias tarefas, pensamentos e experiências simultaneamente sem se quer percebermos e, em paralelo, graças as conexões subconscientes que tornam possível a mente consciente,
tomar uma decisão baseada não só em causa e consequência como nas experiências do próprio indivíduo. Apesar de não entendermos muito bem qual o caminho das etapas que levaram o cérebro a resolver um problema, a intuição roda esse problema em nosso subconsciente e cospe uma solução aproximada.

É interessante dizer que, ao meu ver, a qualidade dessas tarefas, pensamentos e experiências que nosso cérebro roda para nos entregar nossa intuição no momento da resolução de um problema ou numa tomada de decisão, influência diretamente na qualidade das nossas opções intuitivas. Confesso que para conseguir ouvir minha intuição com clareza - e nem sempre isso acontece - preciso estar não só com a mente devidamente organizada, mas com a autoestima em dia. A baixo estima normalmente faz as pessoas terem dificuldade de acreditarem em si mesmas e na sua inteligência intuitiva, por conta de uma desconfiança em tudo o que vem de dentro. Inclusive a percepção da realidade. Por outro lado, quando estou seguro demais (momento em que o ego da as caras), acho qualquer ideia minha genial, e isso faz mal para qualquer trabalho ou pessoa. A cura sempre será o equilíbrio, e a intuição, a voz mais importante a ser ouvida.​

Dia 22 - 07/04/2020 | FRACASSO

Tenho pensado no fracasso como algo subjetivo e volátil. Nunca me saiu da cabeças a história na qual Monet e Cézanne - que são artistas atualmente consagrados - tiveram suas pinturas diversas vezes recusadas pelo Salão Oficial de Paris, na época. Olhando em retrospecto até os dias atuais, quem fracassou naquele momento de rejeição? Tendo a acreditar que foi o Salão de Paris, não os artistas. Ou ambos têm a mesma parcela de culpa? Ou nenhum deles? Por isso acho o conceito de fracasso ambíguo e relativo.

Quando se trata de criatividade, o fracasso é inevitável. Todos nós, seja qual for a linguagem de criação que trabalharemos, de alguma sempre fracassamos. Talvez seja por isso que as pessoas em geral têm medo de levarem uma vida criativa, o fracasso é claramente mais iminente. Não dá pra negar a tentação em acreditar que fracassos são realmente momentos onde falhamos de verdade e pronto, entretanto prefiro enxerga-lo sempre como uma das partes menos prazerosas de um processo criativo e, ao mesmo tempo, entender a propulsão evolutiva que momentos como esses nos proporcionam se olhados sob a perspectiva correta.

Assim como Monet e Cézanne, meu trabalho foi diversas vezes rejeitado. Assim como eles, porém, eu insisti. Pura e simples insistência, Não porque fui arrogante ou insensível, mas porque estava totalmente comprometido com o meu ofício, não tinha como evitá-lo, e não queria, mesmo se meu trabalho estivesse longe de ser competente à época.

 

Dia 23 - 08/04/2020 | QUARENTENA

Quando a quarenta decorrente do problema mundial com o COVID-19 se iniciou em São Paulo, eu a iniciei em casa, imediatamente, isolado do mundo com exceção de supermercados e uma volta no quarteirão com meu cachorro. Claro que para tomar essa decisão de imediato, tenho de ter consciência que estou em uma posição privilegiada na sociedade que tem o poder dessa escolha. A culpa da minha posição privilegiada é um misto de mérito meu, com o dos meus pais, com o da sociedade. Mas isso não importa, o importante é a clareza da responsabilidade social que tenho por conta dos meus privilégios.

Devaneios a parte, percebi que minha rotina não havia mudado radicalmente, pois trabalho de casa e sozinho por alguns anos. A única mudança central para mim foi a falta de comunicação interpessoal, da troca de energia. Ao mesmo tempo, essa escassez de comunicações entre as pessoas no dia a dia me trouxe a um lugar mais a dentro, mais interno, de maiores reflexões. Se tratando de espaço tempo, senti com a quarentena o quão rápida a minha vida estava, dinâmica, mas extremamente rápida. Senti talvez pela primeira vez um sentimento bom e verdadeiro por andar devagar, comer devagar, ler devagar.

Por fim, tenho tentado aproveitar a escassez de trabalhos a curto prazo para não só focar em meus novos futuros projetos bem como em mim e nos meus hábitos. Tenho tentado usar esse tempo livre maior do meu dia em implantar hábitos em minha rotina dos quais eu nunca tinha tempo de implementar porque a vida estava corrida e eu não tinha tempo.

Dia 24 - 09/04/2020 | LAB

Quando estou dentro do ateliê, minha vida é um laboratório: tudo que se faz, alimenta o que se faz. Distinguindo ativamente entre elementos que se deve manter de um trabalho ou experiências anteriores e os que devem ser descartados. Desde que eu persista no que estou fazendo, refazendo constantemente o ciclo de experimentação, avaliação e correção, o mais provável é que chegarei no momento em que tudo se encaixará fazendo sentido. 

As ideias saídas da ignorância ou displicência gestadas por mim costumam ser fracas e as vezes inúteis. Mas aquelas concebidas com base no conhecimento legítimo, inspirado por paixão genuína, sempre adquirem mais plausibilidade e consistência. Como se nossa imaginação elaborasse conceitos concretos quando se programa para fazer isso.

No geral, as ideias surgem quando incentivo meu cérebro a combinar ao menos dois elementos aparentemente aleatórios em uma nova configuração por meio de uma fusão entre desconstrução, aplicação e conexão. A qualidade dela por outro lado, costuma vir quando a ideia está centrada em um tema sobre o qual tenho informação e interesse e, a forma final, normalmente é o resultado de centenas de perguntas feitas e decisões tomadas, que muitas vezes levam a mais perguntas e revisões.

Dia 25 - 10/04/2020 | PONTO DE PARTIDA

A criatividade, assim como a sociedade, prospera quando elementos individuais se ajustam num conceito mais amplo, em direção a contribuição. Mas qual é o ponto de partida de uma criação? Se formos usar o meu estudo de caso - assim como tenho feito em todos os textos acima - Não é no momento em que o pincel toca a tela. Nem na noite anterior, muito menos enquanto reflito sobre as possibilidades durante o jantar. O ponto de partida sofre variações, mas normalmente está a meses de distancia da execução.

Esse é um dos motivos pelos quais, inclusive, meu trabalho é rápido ao iniciar alguma produção. Do ponto de partida da criação até seu início de execução, muita reflexão e masterização da ideia foi diagramada. Nesse caminho decido paleta de cor, tema, estética, ornamentos e ferramentas. Quase tudo estabelecido com antecipação e aprofundamento na reflexão. Quando digo quase tudo, me refiro a esse que é meu limite racional. Apesar dele, a formatação de uma ideia não é bem construída por mim se não tiver uma quantia significativa de intuição, acaso, naturalidade e aprendizado.

Dito isso, tenho para mim a conclusão que a flutuação da quantidade de tempo que levo em minha mente masterizando uma ideia normalmente é influenciada pelo conhecimento ativo que tenho sobre a ideia em específico. Se tenho alto conhecimento sobre as ferramentas criativas para execução da ideia, ela tem passagem rápido pela minha mente, como se conhecesse naturalmente o caminho - baseado nos aprendizados passados - até o momento inicial de produção. Entretanto, se meu conhecimento é baixo na especificidade, eis que surge o árduo, mas gratificante campo de batalha criativo na mente, onde alguns meses de estudo e aprofundamento conduzem a ideia do ponto de partida até a execução.

 

 

Dia 26 - 11/04/2020 | SER AUTÊNTICO

A jeito único de cada um ver o mundo é o principal componente que induz as escolhas que fazemos, o que normalmente diferencia, por exemplo, o seu trabalho do meu. Como se nossos pontos de vista fossem uma assinatura singular no jeito que fazemos e criamos as coisas e o mundo a nosso redor. Um dos aspectos mais agradáveis, na minha opinião, da criatividade e o modo como ela celebra e recompensa nossas peculiaridades e idiossincrasias. Peculiaridades essas que são, na maioria das vezes, infelizmente vistas pela sociedade atual como fraqueza. Como é possível as pessoas ainda tratarem os elementos que tornam os seres humanos únicos e autênticos como chacota ou demonstração de fraqueza? Fraco é aquele que segue o rebanho, não o ser de ideias próprias.

É por essas e outras reflexões que cada vez mais concentro minha energia em encontrar minhas fontes de inspirações dentro de minhas próprias experiências, reflexões e vivências. Quando a criatividade do meu trabalho vem das minhas peculiaridades e idiossincrasias, ele naturalmente se torna mais robusto e autêntico. Quanto mais eu entendia isso, mais eu me via em um lugar de paz junto ao meu trabalho por sentir cada vez mais verdade na criação. Porém esse ponto sozinho não resolve o problema da autenticidade, acredito que tem mais um detalhe aí, um ponto que aprendi recentemente: Se tudo que eu disse acima for somado a clareza e principalmente vontade de dizer algo, de se expressar, de querer ter a própria voz, a verdade criativa estará certamente menos distante.

 

Quando descobrimos o que realmente queremos dizer, a vida cotidiana se torna uma fonte rica de estímulos criativos e vontade de execução. É claro que não descobri minha voz no momento em que decidi ser artista, muita coisa teve que acontecer para eu achar essa voz, e para ser sincero, apesar de ter uma clareza atual dela e somado a vontade de dizer algo, ainda estou e sempre estarei lapidando essa voz. Há muito o que aprender. Como disse certa vez o pintor Eugène Delacroix: "O que torna uma pessoa genial ou que inspira seu trabalho, não são as novas ideias, mas sua obsessão pela ideia de que o que foi dito não foi o suficiente."

Dia 27 - 12/4/2020 | AGENTE DE MUDANÇA.

Arte é agente de mudança. Ponto. Apesar de ainda existir a ideia de que a arte em todas as suas configurações e formas é algo brando ou atividade supérflua, projetada para entreter, acredito piamente que a criatividade - que é o ponto de partida para qualquer manifestação artística - é uma ferramenta fundamental e poderosa, é por isso, por exemplo, que foi temida por figuras de autoridade como Platão e Putin. Arte é a maneira como nos expressamos, a arma que da voz a democracias e forma civilizações. Se é plataforma de ideias, é agente de mudança.

Dia 28 - 13/4/2020 | ENSINO

Tirando minha passagem quando criança em uma escola chamada Stoquinho (procure saber), onde convivíamos com a natureza e a liberdade das múltiplas percepções instintivas natural da criança dentro de um ambiente que mais parecia um grande sítio, desde que me conheço por gente estive em constante atrito como o sistema educacional que frequentei. Essa talvez foi uma das primeiras bandeiras que levantei na minha vida, enquanto questionava professores sobre a necessidade da aprendizagem de alguns conteúdos e, quando não ia para a diretoria, desenhava na prova de matemática.

 

Os efeitos disruptivos da revolução digital já trazem inúmeras oportunidade de re-imaginar como a educação pode ser administrada e exercida no presente. O problema é que as escolas ainda ensinam os alunos sobre os feitos de Einstein, Galileu e Da Vinci, por exemplo, mas se quer tocam no assunto de como o fizeram, qual caminho os fez chegarem a tais feitos. Se nosso futuro vai mesmo ser baseado em uma economia pós capitalistas baseados na economia criativa e compartilhada, então deveria parecer sensato preparar os jovens para isso, ao invés de prepará-los para ser mais uma engrenagem de uma maquina que apesar de complexa, está fadada a um fim obsoleto.

Isso me faz pensar sobre o valor do nosso atual sistema de ensino, baseado em regurgitar as informações recebidas. É claro que princípios básicos devem ser aprendidos na escola e uma ou outra forma de teste é útil, mas esses exames deveriam ser baseados principalmente na retenção do conhecimento? Em pleno 2020? Não serão, de certa forma, inúteis, quando quase todas as informações estão a 2 cliques de distância? Além disso, já parou para pensar que esses testes expõem apenas o que o jovem não sabe, ao invés de oferecer a ele a oportunidade para mostrar o que sabe? Será que os testes e provas estão, ao invés de abrindo os olhos dos alunos, colocando um cabresto neles?

Sempre imaginei um ensino utópico (lembrando que utopia não é algo impossível, apenas um cenário distante) que elevasse o status e importância da criatividade nas escolas. Premiando o novo e o interessante ao invés do certo e errado, incentivando o olhar, a compreensão, a curiosidade e a execução, onde os fatos sejam pontos de partida, não a conclusão, onde o que importa é o que o aluno consegue fazer com a informação que recebe, onde os métodos, materiais e meios ficassem sob responsabilidade do aluno, assim como sua própria interpretação.

Já parou para pensar que a primeira grande decisão tomada por um ser humano - quando os pais não influenciam ou obrigam - é qual curso ingressar na faculdade? Como assim um ser humano passa 18 anos sem ter a prática e o costume de tomar decisões importantes? Talvez seja por isso que os adultos de hoje têm medo de grandes desafios, de executar, de criar, pois não aprenderam se quer a tomar suas próprias decisões quando jovens. A culpa pode ser em parte dos pais que criaram seus filhos na base do "não, não pode, porque não e pronto" ou com frases do tipo: "quem decide tal coisa sou eu", mas a escola e o ensino tradicional também carregam essa culpa. Quais foram as decisões importantes que você tomou em sua época de escola? Qual matéria quero escolher estudar? Não. Em que plataforma quero entregar meu projeto? Também não. Quando você toma suas próprias decisões, você é livre. E não há nada que cause mais medo na sociedade que um jovem com ideias próprias.

Tanta coisa esta prestes a mudar, inclusive nossa relação com o ensino. Se hoje tenho capacidade de trabalhar com o que amo, ganhar dinheiro com isso, ou simplesmente escrever esses textos, é porque virei as costas para o ensino tradicional baseado no medo e na cobrança. Não há nada mais gratificante do que estudar aquilo que se tem atração, fascínio. Mas vejo uma luz no fim do túnel: a combinação de uma população cada vez mais intelectualmente ambiciosa, que viverá cada vez mais tempo, com a crescente da economia criativa e um mundo digitalizado vai levar a maioria de nós a renovar ou expandir nossos laços com a educação. A ideia de que a aprendizagem tem fim na faculdade ou mestrado, por exemplo, está finalmente caindo por terra. Assim como a ideia de que um indivíduo terá uma única profissão para o resto da vida. Se você for trabalhar até os 70, provavelmente vai querer explorar vários campos de atividade ao invés de colher do mesmo fruto para a vida inteira, e, mesmo se não quiser, provavelmente a tecnologia te obrigará.​​

Dia 29 - 14/4/2020 | EMPREGO

Todas as empresas inovadoras do séc.21 dizem precisar de pessoas capazes de conceber ideias de valor e realizá-las, e realmente precisam, no entanto, a maioria das empresas ainda mantém estruturas autoritárias e tradicionais que não dão espaço a ideias e novos pontos de vista. Elas não são organizadas de maneira a criar condições em que os funcionários tenham a oportunidade e confiança para expressar seus talentos, uma vez que a relação empregador empregado é, normalmente sufocante e infantilizador. Falo isso por experiência própria, trabalhei por anos em um escritório de arquitetura, um de engenharia civil e até para a prefeitura de Santo André entre meus 17 e 21 anos. Todos esses lugares de trabalho eram pouco propícios a criação, expressão e reflexão, sem exceção. Eu era apenas - e todos que trabalhavam naquelas empresas - mais uma engrenagem de uma maquina que a vida toda traçou metas, baseadas na decisão de acionistas ou velhos caciques defasados, que nunca serão alcançadas.

Imagina se tivéssemos uma economia mais parecida com aquela que normalmente operam os artistas? Cada um de nós teria sua própria especialidade, baseada em nossas peculiaridades e idiossincrasias, operando com uma mentalidade empreendedora natural do artista, trabalhando com as empresas, e não para elas. É claro que a sensação de segurança do funcionário com carteira assinada seria perdida - apesar de eu achar que essa segurança é pura ilusão -  mas ela seria trocada por um senso muito maior de autonomia, liberdade e independência.

A vantagem seria, na minha opinião, profissionais motivados, extremamente criativos e flexíveis, que se sentiriam donos de seu próprio destino, uma nova geração capacitadas por suas próprias decisões e carreiras. Isso, inclusive, naturalmente resultará em um sistema de partilha da riqueza mais justa. Se você ajudou a criar ou desenvolver um serviço ou produto, não deveria ter uma participação financeira proporcional a sua contribuição? Não é o que acontece atualmente.

É fato que o sistema tradicional de trabalho baseados em hierarquias rígidas e subordinação está longe do fim, porém acredito que esse tipo de sistema vertical de comando é a maneira ideal de conduzir um exército ou detentos, não a evolução humana. Penso que futuro depende de cada um de nós tomarmos uma atitude diferente - onde todos podemos nos expressar e contribuir para a sociedade utilizando nossa imaginação e talentos singulares. É nosso cérebro, não nossos músculos, que nos torna especiais e faz a vida valer a pena.

Dia 30 - 15/4/2020 | APENAS O ESSENCIAL

Nossa atual capacidade de conexão digital aumentou significativamente a força da pressão social. A tecnologia nos aproximou muito mais das opiniões alheias sobre o que deveríamos focalizar. Não é apenas sobrecarga de informação, é sobrecarga de opiniões. Todo mundo te aconselhará a fazer algo em algum momento na vida, sejam seus pais, youtubers ou uma marca de camisetas. Ao mesmo tempo, todo mundo quer fazer tudo! Enquanto uma nova doença nasce: FOMO (fear of missing out). Ninguém está livre desse mal, principalmente pois - no mundo em que vivemos - normalmente estes conselhos ou práticas estão atrelados ao consumo e desejo.

E se a sociedade parasse de nos dizer para comprar mais e nos permitisse pensar e respirar mais? E se nos estimulasse a rejeitar o comportamento que nos impele a fazer o que detestamos, para comprar o que não precisamos, com o dinheiro que não temos, afim de impressionar pessoas de que não gostamos? E se o mundo trocasse a busca indisciplinada por mais pela busca disciplinada por menos, porém melhor? As vezes imagino um mundo onde as pessoas parem de perguntar "Do que tenho que abrir mão?" e comecem a indagar Em que quero investir tudo?"

Dia 31 - 16/4/2020 | CADUCOU

Se tem uma coisa que vem mostrando como essa sociedade da qual o masculino, a agressividade e o numero resolvem tudo, caducou, são nossas atuais crises e pandemias. Essa sociedade que acreditou que a gente ia ganhar tudo no grito, na violência, no "Eu sou melhor do que você", essa sociedade que pensa que o mundo há de nos servir e a natureza que se foda, que eu trabalho 14 horas por dia para comprar coisas que não precisamos, que ensina só matemática, física e química, e que a arte, a ciência e a espiritualidade é uma bobagem: Essa sociedade caducou.

Vejo cada vez mais pessoas com mais medo de morrer do que vontade de viver. Isso pressupõe que é chegada a hora de realmente parar para pensar, como a gente quer viver? Que tipo de vida a gente quer ter? Muitos estudos hoje em dia comprovam que a espiritualidade - quando digo espiritualidade me refiro a perdão, leveza, flexibilidade, criatividade, bom humor, alto astral, trabalho em equipe e outros - é o que mais impacta a nossa imunidade na terra.

Seria utopia sonhar com uma sociedade que trata a espiritualidade em geral como cura e não fantasia? Esse talvez seja o remédio mais efetivo no combate a essa sociedade gaga que chegou no seu limite, em todos os sentidos. Não há mais como viver sem a busca pela constante evolução de nossa espiritualidade, quem vive sem ela costuma sofrer, e o sofrimento é algo que no fundo impede as pessoas de realmente viver uma vida de verdade.

Dia 32 - 17/4/2020 | PARA QUE SERVE A ARTE?

O mundo moderno considera a arte muito importante - quase como o sentido da vida. Prova desse grande apreço se vê na abertura de novos museus, galerias e recursos públicos para a arte. Apesar disso, nossos contatos com a arte nem sempre são tão bons quanto poderiam ser. Varias vezes saímos de museus respeitados sentindo-nos decepcionados e até mesmo perplexos e confusos, imaginando por que não tivemos a experiências transformadora pela qual esperávamos. É natural e comum acharmos que o problema somos nós, concluir que nos falta conhecimento ou sensibilidade.

Porém acredito que o problema não está essencialmente na pessoa e sim em como o establishment artístico ensina, vende e expõe arte. Desde o início do século XX nossa relação com a arte tem se enfraquecido por conta de uma profunda relutância institucional em responder para que serve a arte.

Apesar do respeito em torno dela, muitas vezes se pressupõe que a arte é importante sem se explicar porquê. Considera-se que todos conheçam seu valor. E se a arte tiver uma finalidade que pode ser definida e abordada em termos mais simples? Ela pode ser um instrumento e precisamos observar melhor que espécie de instrumento é esse - e o que pode fazer de bom por nós.

Dia 33 - 18/4/2020 | DECORAÇÃO

Gostamos de objetos de arte, mas não é só isso. Em alguns casos, somos um pouco parecidos com eles. São os meios pelos quais conhecemos a nós mesmos e permitimos que os outros nos conheçam melhor. Naturalmente a tendência é darmos mais atenção as obras de arte que colocamos a nossa volta. Mesmo com o orçamento apertado, dedicamos um tempo enorme à decoração dos nossos interiores, aos objetos que usamos para comunicar nossa identidade ao mundo.

Uma forma um tanto insensível de analisar o cuidado que temos na decoração da nossa casa é afirmar que estaríamos apenas querendo nos exibir - em outras palavras, dizer as pessoas como somos fantásticos e temos bom gosto. Mas em geral, na arte da decoração de interiores ocorre um processo muito mais interessante e humano. Sim, queremos mostrar algo, mas é no sentido de dar a conhecer a nossa personalidade aos outros, de um modo que as palavras talvez não permitam. É claro que se a personalidade de uma pessoa for desviada negativamente isso influenciará diretamente nas escolhas que fará para sua decoração. Por isso as vezes sentimos que as pessoas estão querendo se exibir, porque algumas delas estão. Mas elas são minoria.

 

Fazendo essa recente reflexão percebi um ponto: Nós não estamos acostumados a pegar coisas estéticas e reformulá-las nos termos de nossa vida psicológica, mas nosso subconsciente está. Se você busca o amor, provavelmente vai adquirir obras de arte que remetam a ele, se busca se mostrar e viver como uma pessoa mais contemporânea e consciente, certamente comprará arte de artistas que pensam assim. Se você não pensar conscientemente nisso na hora da escolha, provavelmente seu subconsciente o fará sozinho.

Dia 34 - 19/4/2020 | DEVANEIO ARTE

A arte é um acumulo complexo de experiências dos artistas, que são apresentadas em formas normalmente bem definidas e organizadas. Ela pode nos oferecer os exemplos mais eloquentes das vozes de diversas culturas, de modo com que o envolvimento com obras de arte amplia as noções que temos de nós mesmos e do mundo. De início, grande parte da arte parece "alheia a nós", mas descobrimos que ela pode conter ideias e atitudes que podemos incorporar de maneira enriquecedora. Nem tudo o que é necessário para nos tornarmos versões melhores de nós mesmo já está à mão, e a arte é uma das ferramentas fundamentais nesse processo.

Dia 35 - 20/4/2020 | FELICIDADE

"O segredo da felicidade não se encontra na busca por mais, mas sim no desenvolvimento da capacidade para desfrutar de menos."

- Socrates

 

Dia 36 - 21/4/2020 | HATER

Se alguém emite uma opinião em minhas redes sociais e diz: "O seu trabalho é um lixo e sem fundamento", esta pessoa está tentando me envenenar. Se eu levo para o pessoal, estou aceitando esse veneno, que se tornará meu e, se eu levasse para o pessoal, aceitaria o lixo emocional dessa pessoa, que passaria a ser lixo emocional meu. Se eu literalmente ignorar tais comentários, porém, carrego a cura. Estou imune.

Não levo para o lado pessoal. Nada me afeta porque sei quem sou, não tenho mais a necessidade de ser aceito. O que quer que as pessoas pensem, como querem se sentir, sei que o problema é delas, não meu. É a forma como elas veem o mundo. Essas pessoas estão lidando consigo mesmo, não comigo. Os outros sempre terão outras opiniões baseadas em suas crenças. Portanto, nada do que pensam a meu respeito corresponde a mim, mas a elas próprias.

Não porque eu não acredite ou confie no que as pessoas dizem, mas porque sei que cada uma delas enxerga o mundo com olhos diferentes - os seus próprios olhos. Seu ponto de vista é estritamente pessoal. Nunca vai ser a verdade de ninguém, e sim a sua. Então se alguém me ofende, sei que essa pessoa está lidando consigo mesma. Prefiro não levar para o pessoal. Não sei ao certo qual é a fonte que um hater bebe, mas se pudesse arriscar uma resposta, seria medo.

As pessoas brigam, xingam e machucam quando estão com medo. Se não estão com medo, não existe motivo para se irritar comigo, muito menos para me odiar. O medo normalmente escolhe culpados na ação alheia, e no caso do hate, fui a desculpa escolhida pelo hater para hospedar a culpa em outro ser e não nele mesmo por seja lá o que ele esteja passando.

Dia 37 - 22/4/2020 | NOTAS SOBRE AMOR pt.1

  • O Amor não precisa ser justificado, ou ele está presente ou não está.

  • O Amor verdadeiro é aceitar a outra pessoa da forma como ela é, sem tentar mudá-la.

  • Tirar conclusões nos predispõem ao sofrimento, fazer perguntas sinceras nos predispõem ao amor.

  • Devemos ser quem somos, de uma forma que não precisamos apresentar uma falsa imagem. Se você me ama da forma que sou, "Fico muito feliz! Me aceite assim" se você não me ama da forma que sou, "Tudo bem, até logo. Procure outra pessoa. (Isso pode soar meio rigoroso, mas acredito que esse tipo de comunicação significa que os compromissos pessoas que fazemos com os outros são claros e impecáveis.

  • O amor puro se comunica com clareza, leveza e pureza. Livre de lixo emocional.

  • Só ama quem compreende, mas nunca conclui. Se eu não compreendo, pergunto. Tenho coragem de perguntar até as coisas ficarem claras. Uma vez ouvida a resposta, não terei de tirar conclusões, porque saberei a verdade.

  • Se todos os seres humanos pudessem se comunicar com a impecabilidade da palavra, ou seja, vibrando no amor, não existiriam guerras, violência ou mal intendidos.

Dia 38 - 23/4/2020 | DANDO NOSSO MELHOR

Se teve uma coisa que mais fiz durante meus 7 anos de carreira até aqui foi dar o meu melhor em todas as minhas ações. Em qualquer circunstância, na doença ou na pobreza, no trabalho ou nas relações, eu dei o meu melhor. Isso começou a acontecer na minha vida quando eu percebi que quando dou o meu melhor, não há forma de julgar a si mesmo. E se eu não julgo a mim mesmo, não há forma de ficar sujeito a culpa, ao arrependimento e a autopunição.

Para mim, dar o melhor de si nessa vida significa assumir a ação, porque a amo, não porque espero algo em troca. Quando ajo apenas pelo prazer de agir, sem esperar recompensas, descubro que gosto de todas as minhas ações. As recompensas virão, mas não é com elas que estou preocupado. Quando verdadeiramente gosto do que faço e estou dando o meu melhor, então estou realmente apreciando a vida, me divirto sem sentir tédio e sem acumular frustrações.

Agir ativamente talvez seja como viver plenamente, apenas pelo prazer de se fazer bem feito. Por outro lado, sinto que não agir é uma forma de negar a vida. Como sentar em frente a TV todos os dias por muitas horas pois tenho medo de assumir o risco de viver e se expressar. Agir significa, no fim, expressar que realmente somos.

Dia 39 - 24/4/2020 | LIBERDADE

Todos falam sobre liberdade. Ao redor do mundo, diferentes pessoas, raças e países estão lutando por ela. Mas o que é a liberdade? Costumamos dizer que vivemos em um país livre, mas somos realmente livres? Somos livres para ser quem realmente somos? Sinto que a resposta ainda é não. Acho que a liberdade está relacionada muito mais com espírito humano - a liberdade de ser quem somos. O que nos impede de ser livres? Culpamos o governo, o tempo, a religião, Deus. Quem nos impede de sermos livres? Nós mesmos.

Se olharmos para uma criança de 2 anos, estamos na frente de um ser humano livre. Se observarmos elas, descobrimos que a maioria do tempo elas exibem um belo sorriso no rosto. Se divertem, exploram o mundo, não se preocupam com o passado, não se importam com o futuro. Vivem no momento presente. Crianças pequenas não tem medo de expressar o que sentem, são tão sensíveis ao amor que, se percebem amor, derretem-se de amor. Elas não têm medo de amar. Essa devia ser a descrição de um ser humano adulto padrão.

O primeiro passo para minha liberdade pessoal foi a consciência, pois se não estou consciente, não há nada a ser mudado. O segundo passo foi o domínio da transformação: Como mudar, como ficar livre etc... O terceiro foi o domínio da intenção, aquela parte da vida que torna a transformação de energia possível. Se me sinto livre hoje, é porque arquei com minhas responsabilidades e ações. E não, eu ainda não sou 100% livre, a liberdade é uma construção de caminhos longos.

Dia 40 - 25/4/2020 | O ÁPICE

"O ápice de uma obra de arte é quando ela desperta nos outros a vontade de criar"

-Patti Smith

Dia 41 - 26/4/2020 | SOCIEDADE DOENTE

Quando realmente decidi trabalhar com criatividade, em 2014, tomei a decisão de "esquecer" tudo aquilo que havia aprendido minha vida inteira. Decidi que seria o começo de um novo entendimento sobre a vida. O mundo em que vivemos está doente, mentalmente doente, vitima de uma lástima chamada medo, onde os sintomas da doença são todos aquele que nos fazem sofrer: Ira, ódio, tristeza, inveja e traição. Uma coisa era certa na época: a vontade de me curar de todas essas doenças.

Eu, assim como a maioria da sociedade, vivi uma vida que era resultado da própria sociedade doente que capturou minha atenção e alimentou minhas crenças durante quase 22 anos e, a única coisa que me salvou dessa avalanche de lixo emocional que vive a sociedade foi a consciência de todas essas crenças auto limitantes.

A vida que vivemos é nossa própria criação, como uma obra de arte. Ela é nossa percepção da realidade que podemos mudar a qualquer momento. Nós temos o pleno poder para criar o céu ou o inferno em nossas vidas. Porque então não viver uma vida diferente? Porque não usar nossa mente, inspiração, criatividade e imaginação para executar uma vida plena?

É mais fácil falar, eu sei. A sociedade fez um ótimo trabalho em nos domesticar à sua semelhança falida, impor sua crenças arcaicas, preconceitos e estigmas, mas o agente de mudança sempre será o indivíduo e a ferramenta necessária para mudança sempre será o conhecimento. Talvez eu já tenha dito isso em algum lugar, mas o primeiro passo para essa mudança sempre será a clareza da consciência. Quando há clareza sobre minhas crenças, não é preciso mais gastar energia mental, emocional e física com a dor, a tristeza, o ódio e a inveja.

Dia 42 - 27/4/2020 | EXERCÍCIO DE IMAGINAÇÃO

Imagine que você tem permissão para ser feliz, aproveitar a vida. Ela está livre de conflitos com você mesmo e os outros. Imagine uma vida sem medo de se expressar, você sabe o que quer, o que não quer, e quando quer. Esta livre para alterar sua vida do jeito que sempre desejou. Sem medo de pedir o que precisa, de dizer sim ou não para alguém ou algo.

Imagine viver sem medo de ser julgado pelos outros. Você não regula mais seus comportamentos de acordo com o que os outros possam pensar de você, sem necessidade de controlar nada nem ninguém e, em contrapartida, nada e ninguém te controla. Imagine sua vida sem julgar as pessoas. Você pode perdoá-las com facilidade e esquecer os julgamentos. Não tem necessidade de estar certo, sem precisar tornar todos que pensam diferente de nós pessoas erradas. Você respeita a si mesmo e a todos que, em troca, também o respeitam.

Imagine a si mesmo sem o medo de amar e de ser amado. Não teme ser rejeitado e não tem a necessidade de ser aceito. É capaz de dizer "Eu te amo" sem justificativa ou vergonha. Imagine viver sem o temor de assumir um risco e explorar a vida. Você não tem medo de perder nada. Não tem medo de estar vivo e não tem medo de morrer.

Imaginou? Apenas o amor possui a capacidade de nos colocar nesse estado de graça. Talvez esse seja até o significado de Amor, ou da liberdade. Certamente um bom script para uma sociedade mais consciente, livre e feliz.

Dia 43 - 28/4/2020 | PENSAMENTOS

Se penso o tempo todo

Não tenho nada para pensar a não ser pensamentos.

Então, perco o contato com a realidade vivendo em um mundo de ilusões.

Por pensamentos quero dizer especificamente, tagarelice no crânio,

Repetição perpétua e compulsiva de palavras.

Eu não estou dizendo que pensar é ruim,

Como tudo mais é útil com moderação.

Um bom servo, mas um mestre ruim.

 

Todos os chamados povos civilizados tornaram-se cada vez mais loucos e autodestrutivos,

Porque através do pensamento excessivo eles perderam contato com a realidade.

Nós estamos confundindo nossos próprios pensamentos com o mundo real.

 

Isso é um desastre.

 

Pois como resultado de confundir o mundo real da natureza

Com meros sinais de nosso próprio cérebro,

Estamos destruindo inclusive a natureza.

Estamos tão amarrados em nossas mentes que perdemos nossos sentidos.

 

É hora de acordar.

 

O que é realidade?

Obviamente, ninguém pode dizer porque não são palavras.

Não é material, é apenas uma ideia,

O ponto talvez não possa ser explicado em palavras.

 

Deve-se viver.

Nós precisamos sobreviver para continuar.

Nós devemos continuar.

Este é o começo da meditação.

Dia 44 - 29/4/2020 | CRISE

Estamos vivendo tempos de intensas mudanças. Acredito que estamos no auge de uma profunda transformação planetária. Essas transformações têm se manifestado no mundo externo através das crises ambientais, econômicas, climáticas, sanitárias, entre outras. A palavra crise nos remete a sentimentos negativos, mas, na verdade, acredito que as crises têm elementos preciosos para a transformação e evolução. Ao meu ver, toda crise é muito bem-vinda, justamente porque está a serviço da evolução da consciência humana.

Em um nível mais profundo, a crise revela nossa limitada percepção da realidade. Significa que algo ainda não foi compreendido e precisa ser integrado à nossa visão de mundo. É uma oportunidade de aprendizado. Alguma coisa em nós mesmos precisa ser transformada para que possamos compreender melhor as coisas e atuar de uma nova maneira. É hora de colocar algo novo em movimento.

Acho que um importante ponto a ser compreendido neste aspecto é que não há separação entre o que ocorre dentro e o que ocorre fora de nós - o externo é reflexo do interno. O que ocorre no macro universo é um reflexo de microuniverso e vice-versa. Com isso quero dizer que, a origem de qualquer crise, guerra ou doença se encontra dentro de nós mesmos. A raiz desses problemas somos cada um de nós. Portanto, quando falamos de enfrentar a crise, estamos nos referindo a uma necessidade de transformação interna, ou seja, as mudanças que desejamos que aconteçam no mundo ao nosso redor precisam ocorrer, principalmente, dentro de nós mesmos. A evolução do macro universo só será concebida quando cada um de nossos microuniversos estiverem dispostos a tal mudança.

Dia 45 - 30/4/2020 | O AMOR DESPERTO

O amor desperto é um fluxo contínuo de compaixão; é quando podemos nos colocar no lugar do outro e sentir a dor dele; quando reconhecemos o potencial adormecido no outro e damos força para esse potencial se manifestar. É uma vontade sincera de ver o outro brilhar; de ver o outro feliz e satisfeito. A principal característica do amor desperto talvez seja a doação desinteressada: Assim como a flor espalha seu perfume e sua beleza gratuitamente sem pedir nada em troca; assim como o sol espalha seu calor e sua luz; assim como a chuva molha a terra, e a agua mata a sede, a essência do ser humano ama.

Eu sei que para muitos esses conceitos podem parecer bastante esotéricos ou românticos, porém não há outra maneira de conhecer a verdade se não a experimentando. Não é possível fornecer provas que demonstrem essa verdade; ela precisa ser vivida. Somente quem experimenta a fragrância do amor desperto sabe como ela é. Esta é uma jornada abarrotada de desafios, porém acredito ser a única direção para o avanço e evolução do ser humano.

Dia 46 - 01/05/2020 | EMOÇÕES

Os seres humanos em geral têm um enorme leque de emoções e estão constantemente decidindo quais devem levar a sério e quais ignorar segundo critérios normalmente mais sociais do que individuais. As milhares de indicações externas que nos levam a considerar algumas emoções especialmente importantes e nos fazem abafar ou negligenciar outras.

 

Se concordarmos que é importante dar um rumo às emoções como parte do processo de criar uma sociedade civilizada, cabe então reconhecer que a cultura é um dos seus mecanismos centrais. Funcionando como um sutil guia e educador por meio da musica que ouvimos, os filmes que assistimos, os edifícios onde moramos e as pinturas que temos em casa.

Dia 47 - 02/05/2020 | AMANDO MELHOR

Saber amar é diferente de admirar. A admiração nos pede pouco, apenas uma imaginação viva. Os problemas começam quando tentamos construir uma vida em comum, que pode incluir um relacionamento ou uma sociedade profissional, com alguma pessoa que, de início, estimamos a distância. É aí que precisamos recorrer a qualidades que raramente brotam de modo natural e quase sempre requerem alguma prática: capacidade de ouvir devidamente o outro, paciência, curiosidade, flexibilidade, sensualidade e razão.

 

Penso que a arte é um bom guia para essas qualidades. É por motivos profundos que os ingredientes de uma obra de arte bem realizada guardam analogias com as qualidades necessárias para o florescimento de uma relação, e é por isso que a contemplação de obras de arte pode nos ajudar a amar melhor.

 

Na filosofia platônica, a bondade é tida como um elemento transferível que permanece essencialmente o mesmo em qualquer parte, seja numa pessoa, num livro ou num projeto de uma cadeira. Além disso, situar bondade numa área pode nos tornar mais sensíveis para reconhecê-la e incentivá-la em outra.

 

 

Dia 48 - 03/05/2020 | NATUREZA

Quem mora em cidade, principalmente na capital de São Paulo, acaba tendo um contato reduzido e penoso com a natureza. Penoso porque nos lembram nossa intenção constante de lhe dedicar maior interesse, mas raramente fazemos algo a respeito. Arrisco em dizer que temos fragilidades psicológicas associadas a contemplação da natureza. Ela em si não mostra todos os seus poderes, e nós não conseguimos isolar as suas melhores partes, nem sempre reconhecendo a importância das experiências que vivemos diante dela.

 

O objetivo de contemplar obras de arte, por exemplo, não é aprender a reagir exatamente como reagiu determinado artista. É o seu método que deve nos inspirar, o que significa que seria bom descobrirmos o que nos agrada em particular num certo trecho da natureza, levarmos nossas experiências a sério e sermos seletivos em nossos entusiasmos, de modo que a natureza possa se tornar uma força mais duradoura e terapêutica na nossa vida.

Dia 49 - 04/05/2020 | MORTE

Tecnicamente, sabemos que vamos morrer, porém isso é muito diferente de ter consciência da morte dia após dia e de maneira sensorial. Ratos e girafas morrerão, mas essas criaturas, assim supomos, não estão preocupadas com o próprio fim. Entretanto, viver como ser consciente e racional “de acordo com a natureza” significa ter de encarar o futuro sabendo que nossa vida chegará ao fim, que seremos tirados dos entes amados, que nosso corpo sofrerá indignidades e que tais coisas, quando acontecerem, estarão quase totalmente fora do nosso controle. Talvez essa seja a ideia mais difícil de se ter na mente.

 

O que reprimimos não é apenas a preocupação com o último momento de nossa vida. É com o fato de envelhecermos, perdermos a saúde, ficaremos frágeis. Nossa fase de vida atual é transitória e, em retrospecto, se mostrará muito fugaz. Para quem tem 20 anos, os milhares de horas vividos aos sete anos parecem quase nada. Para quem tem 50 anos, a década inteira dos 20 pode ser apenas um instante. É estranho, mas de profunda importância, que as questões que hoje têm tanto destaque em nossas vidas, os dias que parecem se estender e as horas de intensidade ou desatenção, se tornarão detalhes miúdos, quase esquecido, de um passado distante.

 

Dia 50 - 05/05/2020 | LINHA DE FRENTE

O desafio para os artistas modernos é nos abrir os olhos aos encantos das paisagens modernas, o que significa basicamente paisagens marcadas pela tecnologia e pela indústria. O primeiro impulso é protestar que não há nada de belo em rodovias, estaleiros ou torres d’agua – mas como estaríamos errados se nos prendêssemos a isso! Os artistas, que antes estiveram na linha de frente ajudando-nos a apreciar a natureza sublime e intocada, tomaram a dianteira e agora nos guiam para a incomum beleza das paisagens da modernidade.

 

Dia 51 - 06/05/2020 | ARTISTA DO FUTURO

Ao longo da história da arte, os artistas tomaram como tarefa representar suas experiências da natureza. Muitas vezes, isso consistiu em criar uma imagem de alguma faceta do mundo natural que os impressionou em especial. Um dos avanços mais interessantes e positivos da arte do século XX foi a ampliação do conceito de “artista”. Eles não são necessariamente pessoas que nos mostram uma obra representando a natureza ou outra coisa, mas também criam oportunidade para vermos diretamente a natureza – ou outra coisa – de forma mais imediata ou significativa.

Dessa nova maneira, o artista se torna coreógrafo de uma experiência que podemos ter, em vez de registrador de uma experiência que ele teve. Ainda estamos digerindo as plenas implicações dessa interessante guinada histórica, que afasta os artistas do ateliê e do cavalete e lhes dá aspectos em comum com diretores criativos, arquitetos e planejadores urbanos, cientistas e oradores. O que o identificará como artista será o interesse pela verdadeira missão histórica da arte: promover compreensão sensorial do que mais importa na vida. Criará situações, que podem ser uma torre, uma cratera, um jantar ou um parque de diversões, para os acontecimentos que promoverão os valores aos quais a arte sempre se dedicou. Assim, não devemos nos surpreender, nem ver como uma perda de papel usual da arte, se muitos artistas das próximas décadas não criarem objetos tradicionais e passarem a enfrentar diretamente e missão subjacente da arte – mudar a maneiro como vivenciamos o mundo.

O artista do futuro pode gostar de tintas, pinceis ou de filmes, mas também terá a habilidade

Dia 52 - 07/05/2020 | CAPITALISMO

O cerne do sistema econômico que chamamos de capitalismo inclui a busca de lucro por meio de venda de produtos e serviços num mercado no qual consumidores podem comprar o que quiserem. Os produtos apenas se empenham em fornecer aquilo pelo que os consumidores estão dispostos a pagar. Nesse sentido, o capitalismo é bom ou mau apenas na medida do gosto dos consumidores. Em vez de criticar apenas a malvadeza das grandes empresas, deveríamos criticar também a nós mesmos. Muito dos problemas do capitalismo se resumem a falhas de escolha ou de gosto do consumidor, ou seja, nosso.

Se lamentamos a vulgaridade de um cassino de Las Vegas ou estremecemos ao pensar na qualidade de uma carne usada em hamburguês baratos, deveríamos nos abster de apenas condenar os donos e gerentes das empresas que fornecem tais produtos e serviços. Não é culpa deles se quantidade enormes de um tipo errado de comida são vendidas oi se tanta gente que frequentar locais maçantes. Os produtores dos programas de tevê mais fúteis não estão ideologicamente engajados em fazer entretenimento de baixa qualidade. Eles estão ao nosso serviço e nos fornecerão o que quisermos, desde que resulte em lucro. O problema é que há muita gente que gosta das coisas erradas e se dispõe a pagar por elas.

Dia 53 - 08/05/2020 | GOSTO PESSOAL

Em geral, orgulhamo-nos do nosso gosto pessoal, porém a verdade é que, em vista das demandas do nosso tempo e das falhas que apresentamos na constituição psicológica, o mais provável é não sabermos do que gostamos enquanto não formos incentivados a nos examinar com mais profundidade e aproveitar a contribuição dos outros guiando nosso entusiasmo de maneira frutífera.

Dia 54 - 09/05/2020 | OS 2 ELEMENTOS

Sinto que há dois elementos necessários para que um emprego ou profissão seja dotado de significado. Primeiro, que ele nos dê a sensação de estarmos ajudando, em maior ou menor medida, a melhorar o mundo, seja reduzindo o sofrimento ou despertando prazer, compreensão ou consolo nos outros. Segundo, e talvez ainda mais desafiador, que ele nos pareça em sintonia com os nossos talentos e interesses mais profundos. Sinto que o trabalho precisa nos dar a oportunidade de exteriorizar certas capacidades preciosas de dentro de nós para que possamos olhá-lo depois de feito e sentir que ele transmite aos outros e principalmente a nós mesmos as nossas qualidades mais sinceras, autênticas e valiosas.

Dia 55 - 10/05/2020 | O CAMINHO DO CORAÇÃO

O caminho do coração só é possível quando estamos ouvindo a voz do coração, que é talvez a voz do nosso eu superior, a intuição pura. Sinto que o caminho para a experiência de liberdade e unidade somente é possível quando podemos seguir o coração. Um coração que não julga, não acusa, não compara e não deseja. Um coração que que aceita e perdoa, que agradece e ama, enquanto o fluxo de vida e amor não é interrompido.

 

Dia 56 - 11/05/2020 | SEXO, PODER E DINHEIRO

Acredito que as principais distrações do ego humano, que trabalham a serviço do bloqueio da expansão da consciência, são o sexo, poder e o dinheiro. Eles obscurecem a consciência e normalmente atuam como anestésicos que nos impedem de entrar em contato com nossos sentimentos. Vivemos em um mundo que parece girar em torno desses 3 fatores, como se a vida fosse uma corrida desenfreada em busca deles.

 

É claro que precisamos desses elementos para nosso desenvolvimento, para viver. Mas essas são premissas que se tornam toxicas facilmente, por isso sinto que é preciso pensar nas formas realmente corretas de usar esses pilares da vida na terra. Aquilo que é uma necessidade legítima da experiência humana acaba sendo distorcido e dá origem a uma necessidade compulsiva.

 

Talvez isso ocorra justamente porque, ao obtermos esses elementos, experimentamos um alívio da angústia existencial decorrente do esquecimento da nossa identidade.

 

Dia 57 - 12/05/2020 | CURO A MIM, DEPOIS O PLANETA

A cura planetária acontece de dentro para fora. Quando penso em realmente fazer da terra um mundo melhor, mergulho fundo dentro de mim mesmo para encontrar as contradições que me habitam. Sinto que quando me dedico ao processo de continua evolução do meu ser, em algum momento poderei contribuir também para a transformação planetária. Porque só posso dar aquilo que tenho. Só é possível dar amor se amamos a nós mesmos e ao outro e só posso ajudar o outro a ser feliz se eu já sou feliz. Sinto que, quando estou dando o exemplo a mim mesmo, estou finalmente pronto para dar o exemplo aos outros. Porque a melhor forma de educar sempre será pelo exemplo.

 

Dia 58 - 13/05/2020 | INTIMIDADE

A intimidade é o encontro de dois centros. É ela que possibilita a conexão entre duas correntes positivas, duas forças que dizem “sim”. Sinto que só é possível experimentar e sustentar o prazer positivamente orientado dentro de uma relação – seja ela qual for, se houver intimidade.

 

Intimidade é sinônimo de transparência – nada de segredos, muito menos mentiras. Ela vai além da nudez física; é a nudez da alma. É ter a disposição de tornar-se completamente vulnerável.

 

Não há ninguém mais intimo de uma obra de arte que o próprio artista. Arte é intimidade.

 

 

Dia 59 - 14/05/2020 | SOMOS OBRA E ARTISTA

Embora possamos criar muitas obras de arte, as obras de arte mais importantes a qual podemos nos dedicar é a nossa própria vida. Independentemente do que mais produzimos – quer sejamos pintores, cineastas, dançarinos ou poetas, ainda que criássemos algo que pudesse ser exposto em uma galeria ou museu em algum lugar do mundo por várias gerações, e nos maravilhássemos com o assombro de nossa própria obra – jamais criaremos nada mais podersos ou significativo que as nossas vidas.

 

Eu sei, essa é uma reflexão complexa, porque somos tanto obras de arte quanto artistas trabalhando nelas. A princípio, nossa alma é como uma tela onde outros começam a pintar o retrato de quem somos. Lentamente, à medida que nos desenvolvemos e amadurecemos, tomamos o pincel em nossa próprias mãos e continuamos pintando nossas próprias vidas, para então ir além e realmente deixar a nossa marca modificando o mundo – lugares – que nos cercam.

 

 

Dia 60 - 15/05/2020 | O CAMINHO DO CRIAR

O caminho da criação não é um convite para ficar sentado ao sol desfrutando de uma brisa fresca de verão, imaginando uma vida e um mundo melhor. Ele tem a ver com abraçar o nosso poder criativo e a nossa responsabilidade para criar a vida e o mundo que a nossa alma nos inspira imaginar. O caminho da criação é um caminho de máxima resistência, com o máximo de esforço e risco, mas é o que obtém o máximo das boas recompensas da vida.

 

Dia 61 - 16/05/2020 | SAÚDE DA ALMA

Se toda arte é uma expressão da essência do artista,

Que o bem mais precioso dele seja a saúde da sua própria alma.

 

Dia 62 - 17/05/2020 | TODA CRIANÇA É UM ARTISTA

Quando nascemos, não éramos crianças comuns, mas talvez, como a maioria de nós, trocamos nossa singularidade pela segurança.

 

Vivemos uma cultura enraizada que entende que colocar as pinturas de dedo de nossas crianças na geladeira e dizer a elas que a obra delas é incrível deve ser uma fase temporária e que eventualmente eles deixarão de ter a necessidade de criar coisas bonitas e de serem elogiados por isso.

 

Talvez seja por isso que a maioria das crianças perdem seus hábitos criativos, pois acredito que toda criança nasce artista. Todo ser humano nasce com todas as ferramentas necessárias para criar uma obra de arte - seja ela um produto, um lugar, uma sensação, sentimento, ou sua própria vida. A criança nasce pura, mas a sociedade, antes de corromper, reprime.

 

Como exemplo dessa repressão, é cultural ensinarmos às nossas crianças o pensamento convergente e desencorajamos o pensamento divergente. O pensamento convergente nos ensina a seguir um conjunto específico de passos lógicos para chegar a uma solução correta. O pensamento divergente foca na liberação espontânea, na criatividade, na imaginação. Explorando caminhos desconhecidos e descobrindo soluções inesperadas.

 

 

Dia 63 - 18/05/2020 | NÃO CASE COM UM ARTISTA.

Os artistas são comumente – e erroneamente – identificados como pessoas que se recusam a assumir responsabilidades, que escolhem nunca crescer ou que só conseguem criar na dor. Por alguma razão, descrever alguém como um artista sempre sugere vê-lo como irresponsável. Esse é, infelizmente, um pensamento culturalmente enraizado onde o artista, na maioria das vezes, não é o sujeito com quem você quer que sua filha se case. A não ser, é claro, que ele já seja bem-sucedido.

Dia 64 - 19/5/2020 | NOTAS SOBRE AMOR pt.2

  • Paixão é apego, aprisiona, limita, ilude e conspira. Já o amor é.. apenas é, sem armadilhas, sem imagens, sem conspirações

  • O Amor Diz "que você seja realmente como você é, e me permita estar do seu lado sendo que eu realmente sou.

  • O Amor não tenta sugar coisas de fora para dentro, ele não diz "seja assim para que eu possa te possuir do jeito que prefiro"

  • O amor não tenta mudar algo ou alguém, ele educa com o exemplo.

Dia 65 - 20/5/2020 | QUALIDADE

"Coisas de qualidade não tem medo do tempo"

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